Chef Maria José Sousa: “A restauração terá que ser criativa para vencer a crise”

Chef Maria José Sousa: “A restauração terá que ser muito criativa para vencer a crise”
Vinte anos depois de abrir a sua Taberna do Adro, perto de Elvas, Maria José Sousa homenageia agora o receituário tradicional, de norte a sul do país, no novo programa de TV “A Nossa Cozinha”.

Deixou a função pública para trás quando a paixão pelos temperos passou a falar mais alto. Afinal, Maria José Sousa “cozinha como respira”, como a chegou a descrever o nosso crítico Fernando Melo. A estreia na televisão só acontece agora, mas há mais de duas décadas que a chef homenageia a cozinha regional alentejana e o produto local na Taberna do Adro, restaurante familiar nos arredores de Elvas. Uma missão que mantém em “A Nossa Cozinha”, o programa focado no receituário tradicional, que chega ao novo canal por cabo Casa e Cozinha, disponível na NOS.

 

Há 20 anos que está ligada à restauração. O que a motivou a aceitar o desafio de apresentar um programa de receitas tradicionais, de norte a sul?
Cozinhar é uma paixão. Acredito muito no elo de ligação da gastronomia à tradição e ao passado. Este “A Nossa Cozinha” é um veículo de preservação do nosso património gastronómico, relacionando receitas com o espaço e o tempo, e as histórias de cada prato.

Uma missão que está associada à sua forma de cozinhar, desde sempre, ligada à tradição.
Sou muito ligada à tradição. Não podemos esquecê-la. Isso nota-se no meu restaurante, no Alentejo. Respira-se tradição em todo o lado, das mesas às paredes e ao que se confeciona. A minha formação académica é História. Para mim, património não é apenas o edificado. Também é cozinha.

Esta é a sua estreia na televisão. Como correu esta primeira temporada?
Ao todo, foram 22 programas e 44 receitas. Gravei tudo em Madrid durante seis dias e fechei o restaurante durante esse período. Foi uma verdadeira aventura. [risos]

Maria José Sousa na sua Taberna do Adro.

Dê-me alguns exemplos do que vai confecionar.
A nossa cozinha é simples, é cozinha que alimenta o povo. Vou falar de caldo verde, por exemplo, um prato simples e versátil que serve para festas, arraiais, para o dia-a-dia e casas de fado. Ou de um cozido à portuguesa, um prato do país inteiro, mas feito de forma diferente em cada região, conforme a carne local.

O receituário tradicional é o pilar do programa. Quais são as principais mais-valias da nossa cozinha?
A simplicidade. A base da nossa cozinha é a natureza que a dá. Cada região foca-se nos produtos na terra. A raíz, a essência é essa. E isso nota-se bem. No norte, os caldos e as couves. O azeite e o pão no Alentejo.

A cozinha pode e deve ser um escape nestes tempos difíceis?
Sem dúvida. As pessoas estão a cozinhar cada vez mais. Cozinhar é terapêutico, é pedagógico e é o elo de ligação para toda a família. “Cozinhar é mimar”, como diz o meu lema. Sou filha única e tive uma infância muito feliz, com memórias na cozinha.

A Maria José fechou o seu restaurante durante a pandemia. Como encara o futuro?
Estamos na expectativa, como muitos outros. Ainda a ver qual a melhor data de abertura. O restaurante é pequenino, é quase como uma casa de aldeia de outros tempos.

O novo programa “A Nossa Cozinha”.

De que forma é que a restauração vai conseguir dar a volta a esta crise?
Com muito cuidado, por estarmos a viver algo que nunca experienciámos. A restauração terá que ser muito criativa para vencer a crise, fazendo o melhor que se pode, em cada casa.

Abriu há 21 anos a Taberna do Adro, que já recebeu elogios do “The Guardian” e visitas do primeiro-ministro. Foi importante abrir esta casa na Vila Fernando, aldeia onde nasceu?
Muito. Existia uma carência na região. A zona de Elvas é riquíssima em História mas a riqueza da gastronomia estava um pouco esquecida.

Qual é o ex-líbris da casa?
Tem que ser a minha galinha tostada. Um prato muito simples, que representa a galinha domingueira de outros tempos. Farto-me de dar a receita aos clientes, as pessoas gostam muito.

A Nossa Cozinha”, de 22 episódios, é exibido no Casa e Cozinha de segunda a sexta, às 10h, 14h30 e 20h30, e aos sábado e domingo pelas 09h30 e 18h. O canal está disponível na posição 95 da NOS.



Ler mais







Send this to friend