Enquadrada em espaço rural, a Adega dos Apalaches serve comida regional confeccionada em ferro e fogo a lenha. E a especialidade, que é uma tradição de Oleiros com centenas de anos, ganhou nova vida às mesas do restaurante. O cabrito estonado, explica Conceição Rocha, que abriu o restaurante em 2016, é uma forma diferente de confeccionar o animal. Este “não é esfolado, apenas o pelo é retirado, mantendo-se a pele”. Depois, é assado em forno de lenha.

Adega dos Apalaches (Fotografia: Pedro Granadeiro/GI)
Pensa-se que a receita de cabrito estonado de Oleiros já exista pelo menos desde o século XVII. Isto porque o padre jesuíta oleirense António Andrade viajou, em 1624, pelo Tibete e relatou que lá não se esfolavam as cabras. Estas eram confeccioanadas com a pele chamuscada, “tal como se fazia em Oleiros”, relata.
Mas este prato era apenas feito em ocasiões festivas e nas casas abastadas. Nos anos 1970, aparecem as primeiras referências ao prato em livros de receitas, como no “Cozinha Tradicional Portuguesa”, de Maria de Lurdes Modesto.
- Adega dos Apalaches (Fotografia: Pedro Granadeiro/GI)
- Adega dos Apalaches (Fotografia: Pedro Granadeiro/GI)
Conceição Rocha, cujas origens são oleirenses, quis que a tradição se mantivesse viva e fosse acessível a todos. Por isso, adquiriu uma antiga casa de xisto na aldeia de Roqueiro e renovou-a para instalar o restaurante. Além do cabrito estonado, a Adega serve outros petiscos tradicionais e regionais da Beira Baixa. Ao almoço há menu do dia composto por sopa em panela de ferro, pão em forno de lenha e pratos que vão variando, desde arroz de pato, bacalhau à lagareiro, vitela assada, entre outros. O menu do cabrito estonado está sempre disponível ao almoço, tal como o menu de maranhos de Oleiros. Sextas e sábados ao jantar há também rodízio de petiscos.
Marcar para comer
É necessário reservar com antecedência pois a procura é muita e o restaurante não garante lugar sem reserva. Entre segunda e quarta feira o restaurante está fechado, excepto para marcações de grupos.
