Entre as árvores que enchem o pomar de fruto por estes dias – alperces, ameixas, pêssegos, figos, toranjas – e a horta onde se cultivam variedades de tomate, curgete, melão, aipo, aneto, menta-preta, espinafres ou mostarda-castanha, somam-se 140 metros quadrados de um jardim mediterrânico regido por práticas agrícolas sustentáveis e uso reduzido de água. O mesmo que alimenta parte da cozinha do Austa, novo restaurante e café farm-to-table de Almancil. “Venho para aqui cuidar do jardim, a ouvir os meus podcasts. Isto é a minha terapia”, explica David Campus, que gere o espaço ao lado da mulher, Emma.
O casal de britânicos mudou-se para Portugal há quatro anos e deu nova e fértil vida – literalmente, já que no início só existiam aqui dois pinheiros – a um terreno abandonado na vila algarvia, parte de uma propriedade dos pais de Emma, a viver por cá há duas décadas. Para trás, ficam os percursos na comunicação de moda de luxo e no marketing de tecnologia financeira. Para a frente, a aposta numa cozinha apoiada em produto biológico, seja no próprio quintal, seja com pequenos produtores ao longo da costa algarvia e andaluza, ou até em pequenos detalhes como os ovos caseiros das galinhas de David Barata, o chef que lidera cozinha do Austa. Página nova num percurso que soma moradas Michelin como Eleven, Feitoria e Bon Bon, além do antigo lisboeta Ceia e do norueguês Maeemo.

O amplo terraço com esplanada, junto ao jardim mediterrânico do Austa. (Fotografias: DR)

O produto de época, com foco na criação algarvia, é a espinha dorsal da carta.
A ligação estreita à estação e à horta faz com que a carta mude praticamente de sol a sol. “Mas é isso que torna as coisas emocionantes”, explica David Campus. A nossa visita trouxe propostas para o pequeno-almoço e almoço como a sandes de pão de fermentação natural com tempura de curgete, burrata e pesto de espinafre e poejo; ovo escalfado com espargos verdes e amêndoa; iogurte caseiro de leite de cabra com Queijo S. Jorge e mel bio; carapau fumado com azeite e citrinos; tortas e bolos à fatia ou saladas.

David e Emma Campus são os responsáveis pelo espaço. (Fotografias de Joana Freitas/DR)

David Barata é o chef que lidera a cozinha.
Ao jantar, entram em ação petiscos e pratos como ostras da Ria Formosa com picle de pepino e piripiri; croquetes de javali, alho fermentado e limão; couve-flor grelhada com amendoim e paprica fumada; peixe-porco acompanhado de beldroegas e coentros; bacalhau grelhado com favas; presa de porco-preto com pêssego e bimi; lula algarvia com rabanete e coentros; ou encharéu com alcaparras e limão confitado. Para fazer parelha, há três dezenas de referências vínicas naturais, biodinâmicas e de baixa intervenção, mas não faltam sumos naturais, kombuchas e cocktails para responder a uma carta que vai mudando com o passar do dia.

O restaurante e café abriu no ano passado em Almancil. (Fotografias de Paulo Spranger/GI)

Parte da carta é alimentada pela própria horta e pomar.

Algumas das propostas da carta ao longo da manhã e ao almoço.
