Arcabuz e Hiroo: Portugal e Japão à mesa no Páteo Bagatela, em Lisboa

Clássicos portugueses juntam-se à cozinha japonesa no Arcabuz/Hiroo. (Fotografia de Farley Wozniak)
Duas gastronomias nos antípodas geográficos cruzam-se harmoniosamente no Pátio Bagatela, em Lisboa, sob as marcas Arcabuz e Hiroo. Uma junção de sabores que é, também, uma breve e interessante lição de história.

No Páteo Bagatela há duas linhas que confluem no espaço do mesmo restaurante. Sob o nome Arcabuz descobre-se um espaço discreto, com toalhas brancas sobre as mesas, e uma carta essencialmente portuguesa, em que não faltam os clássicos. Já o nome Hiroo traz à luz a comida japonesa, sob a forma do consensual sushi de fusão, e que lembra sempre os intercâmbios culturais feitos entre os dois países.

A tempura é um dos melhores exemplos de como os portugueses introduziram uma receita tão vulgar como os “peixinhos da horta” (feijões verdes fritos em polme) e os japoneses a popularizaram. Mas é também uma chave histórica sobre o período em que os navegadores desembarcaram na ilha de Tanegashima, não sem causar estranheza junto de quem os recebeu, pela fisicalidade e pelos objetos que transportavam.

Em 1543 o Japão estava então em guerra civil, pelo que houve negociações acerca de alimentos, tabaco, lã, sabão e armas de fogo. Entre elas, estava o arcabuz – uma espingarda de origem alemã, usada pelos portugueses, e que cedo começou a ser fabricada na ilha de Tanegashima, vindo a mudar o curso do conflito. Foi nesta história que o empresário Giscard Muller se inspirou para o nome do restaurante.

A carta tem consultoria do chef Pedro Mendes (do Alentejo Marmoris Hotel & Spa) e propõe sabores essencialmente portugueses como peixinhos da horta, mexilhões de tomatada, e bife do lombo à Arcabuz com redução de vinho do Porto e batatas fritas às rodelas. Ao lado destes podem ser servidos, por sua vez, peças do Hiroo como nigiri de atum com foie gras; gunkan de robalo, sashimi e trufa; e várias tempuras.

Muito pedidos são também o bacalhau e o polvo à lagareiro, conta Giscard. Tanto o Arcabuz como o Hiroo têm menus de almoço a 15,90 euros por pessoa, de segunda a sexta-feira, apelativos para quem trabalha e vive próximo do Páteo Bagatela. Em breve, a pensar já no inverno, deverão ser introduzidos pratos de conforto, feitos no tacho e no fogo, tudo para acompanhar com vinhos das várias regiões vinícolas.

 

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