Gaia: no Stramuntana há comida feita ao lume como em Trás-os-Montes

No restaurante Stramuntana, a grande maioria dos pratos sai diretamente da lareira. Fotografia: Ana Fonseca / Global Imagens
O nome Stramuntana, que significa “transmontana” em mirandês, resume a identidade deste restaurante, com alheira e posta de vitela grelhadas à vista do cliente, na sala nova do primeiro andar. No rés-do-chão continua a haver petiscos e uma mercearia - ou melhor, um soto.

Stramuntana – Soto Antigo é como se chama o restaurante que Fernando Araújo e Lídia Brás abriram, há ano e meio, em Vila Nova de Gaia, refletindo a sua paixão por Trás-os-Montes. Stramuntana, em mirandês, significa “transmontana”, explica ela. O pai é de Estevais, Mogadouro, e a mãe de Souto da Velha, em Torre de Moncorvo. Já ele tem raízes bracarenses, mas é admirador profundo da terra da mulher. A ementa inclui posta de vitela e alheira tradicional de Macedo de Cavaleiros com batata a murro e grelos. Por encomenda, há butelo com casulas, javali, veado e outros pratos, alguns servidos em barro negro de Bisalhães.

A posta de vitela é servida com batatas e grelos.
Fotografia: Ana Fonseca / Global Imagens

Tudo começou com a sala do piso térreo, que investe nos petiscos e também vende presuntos, enchidos, cogumelos, vinhos. Isso explica a segunda parte do nome da casa: soto, em Trás-os-Montes, é sinónimo de mercearia. Foi por o espaço se ter revelado insuficiente, face à procura, que o casal criou a nova sala, no piso superior, com esplanada e lareira – de onde saem “80% dos pratos”, grelhados por Fernando à vista do cliente e ao seu gosto.

Fotografia: Ana Fonseca/Global Imagens

Tudo é preparado com tempo e na hora, sublinha Lídia, que é quem cozinha – muitas vezes num pote, ao lume. Ao domingo há cabrito assado no forno, e às 6h30 já está de volta dele. Aprendeu a cozinhar com a mãe, guarda memórias da avó a amassar e a benzer o pão e, mais tarde, foi a sogra que a ensinou a fazer papas de sarrabulho e pica no chão. O menu também acusa influências do Minho e do Alentejo, embora Trás-os-Montes domine, até na decoração: na sala original há caretos de Podence, gaitas-de-foles, cabaças e referências ao “reino maravilhoso” de Miguel Torga. Nem falta, à mesa, o Jornal Nordeste.

Fotografia: Ana Fonseca/Global Imagens

Café em malga

O restaurante serve café de cafeteira em malga de vinho tinto. O objetivo é “despertar memórias no cliente”, transportá-lo até à casa dos pais ou dos avós, explica Fernando Araújo.

A sala original, que também funciona como mercearia. Fotografia: Ana Fonseca/Global Imagens

Fotografia: Ana Fonseca/Global Imagens

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