Vinhos para acompanhar o tradicional cozido à portuguesa

(Fotografia de André Rolo/GI)
Brancos vigorosos, tintos equilibrados e pouca madeira no palato são o caminho da glória. Saia da sua zona de conforto e opte por vinhos ainda não testados por si. Vai ter excelentes surpresas.

O patrimonial e tradicional cozido à portuguesa nasceu à mesa orlado por um cortejo de hortícolas da região onde é servido e assessorado por carnes magras, gordas e fumeiro igualmente da região. Como é costume, apresentamos a nossa proposta para a componente vínica com o lado descoberta ao rubro. Seja qual for a sua preferência, pode sempre atrever-se a penetrar no inteiramente novo. Aposte na recorrência e aproveitamento dos caldos da cozedura de enchidos e demais fumeiro primeiro, e terá uma panóplia considerável de sabores e texturas. Serão bem-vindas as verduras da horta, tais como cenoura, nabo, grelos e as couves curtidas pela geada, que é já um avanço grande em termos de sabor. Até aqui, pode e deve optar por brancos de acidez bem vincada, nalguns casos o fumeiro é bem-vindo, se for colocado na proporção ideal. As verduras cozem no fim e fecham o ciclo quase alquímico de transformação da água em ouro, que a todos agrada. O vinho tinto pode ser melhor escolha do que o branco, mas há que garantir que seja muito equilibrado, o mesmo é dizer taninos, álcool e acidez em encontro perfeito. Renuncie sempre aos vinhos demasiado alcoólicos, que o segredo está no equilíbrio e na elegância. Boas provas e bons cozidos!

 

Casa de Paços Vinhas Velhas Arinto Reserva Verdes branco 2021 (13%)
(Quinta de Paços)

Frescura pronunciada graças a uma belíssima acidez bem trabalhada e integrada. Conjuga bem com todo o património verde do cozido, desde os grelos aos brócolos, convenientemente regados com bom e fresco azeite. Cobre bem as leguminosas e carnes leves como frango e não se faz rogado perante a vitela estufada e alguma especiaria.
Preço: 12 euros

Mont’Alegre Grande Reserva Trás-os-Montes branco 2016 (13%)
(Francisco Gonçalves)

Muito boa estabilidade em boca, excelente e bem trabalhada acidez, ao alcance apenas de magos como Francisco Gonçalves. Incrível evolução e ao mesmo tempo tensão, a altitude e os solos de transição a operar maravilhas. Tem o corte suficiente para dar conta de todas as carnes moles, tudo resolvendo com o poder que lhe foi conferido pelo estágio prolongado e vinificação.
Preço: 20 euros

 

Paulo Laureano Nosso Terroir Alentejo branco 2021 (13,5%)
(PL Wines)

Lote composto pelas castas brancas Antão Vaz, Arinto e Fernão Pires expressivo e emblemático das terras mais a sul, na Vidigueira onde o produtor está como peixe na água e as vinhas já atingiram a maturidade que lhe permite desenhar vinhos de assinatura inconfundível. Aqui está um branco que consegue lidar e resolver com o cozido à portuguesa em toda a sua plenitude.
Preço: 10,25 euros

 

Chipmunk Grande Reserva Douro tinto 2019 (14%)
(Casa Agr. Phermentoes)

Produzido a partir de vinhedos de bom gabarito no vale do rio Pinhão, com a mão enológica de Márcio Lopes. Entre outras, marcam presença as castas Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Touriga Nacional, produzindo um concerto único de leveza e equilíbrio. Constitui grande melhoria em relação à edição anterior e dá-se muito bem com as carnes moles do cozido.
Preço: 30 euros

 

Encostas de Sonim Vinhas Velhas Grande Reserva Trás-os-Montes tinto 2016 (14%)
(Soc. Agr. Encostas de Sonim)

Taninos muito finos, elegância a toda a prova e uma força de certa forma inesperada na boca, graças a uma tensão bem urdida, apoiada na acidez mineral que só uma grande vinha consegue proporcionar. Madeira quase impercetível mas está lá e mostra-se bem. A festa do cozido é grande, matizada e especiada, especialmente nas morcelas e nos butelos.
Preço: 30 euros

Três Bagos reserva Douro tinto 2019 (14%)
(Lavradores de Feitoria)

Um vinho genuinamente “banda larga”, patrimonial e representativo das nuances sedutoras que normalmente constroem um Douro quase à medida do gosto de todos. Muito sabor, acerto no equilíbrio e estágio, portanto parceiro de truz na empreitada de abordagem ao cozido à portuguesa. Prove-o também com um naco de presunto cozido, delicioso!
Preço: 10 euros

 

Brejinho da Costa Setúbal tinto 2018 (14,5%)
(Quinta Brejinho da Costa)

Trabalho seguro e acertado de Marta Rosa, enóloga residente a encabeçar de forma estreante e brilhante a enologia da casa. Lote muito original de Trincadeira, Syrah e Touriga Nacional, sem passagem por madeira, é o vinho ideal para acompanhar as verduras e as carnes magras do cozido. Abrilhante o conjunto com mostarda e vai ter uma refeição muito especial.
Preço: 5 euros

 

Quinta da Rede Vinha da Seara Douro tinto 2019 (14%)
(Quinta da Rede)

Vinho produzido em regime de field blend, com a profusão de castas que caracteriza este tipo de abordagem, quando a vinha tem maturidade e idade. Perfil a um tempo mineral e fresco, capaz de produzir a alquimia consagrada no imaginário popular que é a mesa da partilha e o Douro em pano de fundo. Terroir único, no Baixo Corgo, junto a Mesão Frio. Labor brilhante de Paulo Nunes.
Preço: 40 euros

Mamoré de Borba Vinhas Velhas Reserva Alentejo tinto 2018 (14%)
(Sovibor)

Produzido a partir de Alicante Bouschet e Trincadeira. O produtor habituou-nos a vinhos de talha de grande nível, mas aqui há que fazer a ressalva que não se trata de mais um, mas antes da proveniência de vinhas velhas, com o canónico estágio em barrica. Expressividade e franqueza, as castas a proporcionar um ambiente de prova de grande talante, a puxar muito pelo valor do fumeiro.
Preço: 23,50 euros

Quinta do Cardo Reserva Beira Interior tinto 2019 (13,5%)
(Agrocardo)

Conhecida e reputada pelo património único presente nas suas vinhas de altitude,
com encepamentos tradicionais, esta propriedade passou de mãos há relativamente pouco tempo e a expectativa é naturalmente muita. Bom desempenho frutado, a que se juntam notas minerais de pedra molhada e flores selvagens. Muito encontro com o cozido em todas as suas vertentes.
Preço: 17,50 euros



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