O facto é que estamos sujeitos a um regime e dieta inéditos, e há dias em que quase perdemos o zénite, tentando ao máximo prosseguir viagem, ao mesmo tempo manter a salubridade do que pomos na mesa, para nós e para os nossos filhos. A vida é feita de alternâncias e aqui estão sugestões de vinhos que podem conduzir a dietas aligeiradas e mais saudáveis, compensando a tonalidade de petiscos e “nibbles” a que a época praticamente obriga. Em breve estaremos a sair da crise e queremos permanecer saudáveis. Boas provas!
18 – Branco Vulcânico Açores branco 2018 (12,5%) | Azores Wine Company – 19,90 euros
Se existe um vinho evocativo da rebentação marítima na areia, é este. Só à mesa se percebe a força telúrica escondida neste vinho que se dá a conhecer com ovas de ouriço ao natural, ou com percebes apenas escaldados. Absolutamente marítimo, de origem nas rochas vulcânicas dos Açores.
Viosinho, Gouveio e Rabigato. Esta marca tem o condão escondido de nos recordar da glória dos outrora fortificados e vigiados pomares, no seio dos melhores vinhedos do Douro. O vinho evanesce desses tempos de outrora, sugerindo saladas cítricas cortadas com especiarias e um fio de azeite.
Fernão Pires, Chardonnay e Gewurztraminer, solos arenosos. Salino e floral, sem os excessos aromáticos típicos da casta Gewurztraminer colhida fora do ponto óptimo de maturação das uvas. Brilhante com uma salada carilada de lavagante.
Touriga Nacional (85%) e Tinta Roriz (15%). Ligação brilhante com carapaus de escabeche ou alimados, à moda do Algarve, assim como toda a mistura de tunídeos e verdes temperados com citrinos. Acompanha igualmente bem massas italianas com proteína marítima.
1
Rabigato, Viosinho e Arinto. Aqui está um caso muito sério de um vinho branco contra-corrente que consegue frescura – balanço subtil de acidez e estrutura – em plenos solos copiosos de xisto. Grande trabalho enológico de Diogo Lopes, um vinho que clama por tomate bem maduro no fundo de qualquer salada.
1
Antão Vaz, Arinto e Alvarinho. Tonalidades salinas únicas, de resto em consonância com o imenso património culinário marítimo que o Algarve há décadas nos põe na mesa e de que nós apenas parte absorvemos. Experimente com estupeta de atum, e tem o céu na mesa.