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Saravá: vinhos com textura e acidez “sedutoras” feitos no Minho (e com um pé no Douro)

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Miguel Viseu, enólogo natural do Douro, admite que, antes de se lançar na criação do seu projeto Galatic Wines (e marca Saravá) tinha “algum pudor” em fazer um vinho fora da sua região. Na apresentação dos seus vinhos no bar Tão Longe Tão Perto, em Vila Nova de Gaia, contou ao público que participou nesta primeira prova organizada pela casa, que achava que tinha de produzir o primeiro vinho no sítio onde nasceu e onde a família tem terras que cultiva “há várias gerações”.

Mas em vez do Douro, foi no Minho, em Ponte de Lima, que tudo aconteceu. Desde 2017 que Miguel e Leli, sua companheira de vida e de trabalho, vivem naquela vila. “Sou do Baixo Corgo, de uma aldeia chamada Valdigem e em 2000 tirei Agronomia e percebi que não iria trabalhar com a família”, conta. Com oportunidade para fazer vindimas no estrangeiro, aproveitou e fez-se ao mundo. No estado de Santa Catarina, no Brasil, onde trabalhou como enólogo, conheceu Leli, jornalista e agora parceira na criação de vinhos e com um projeto próprio de sidra (a Nua).

Depois de algum tempo em Moçambique, onde fizeram uma pausa no mundo dos vinhos, perceberam a falta que este lhes fazia: “o vinho tinha estado sempre na minha vida. Não me lembro a primeira vez que ajudei a pisar uva ou que bebi vinho… às vezes é preciso afastarmo-nos das coisas que estão sempre connosco para percebermos o quanto gostamos delas”. Já em Ponte de Lima e “sem grandes planos”, começaram a fazer vinho. “Na altura, pensamos que o pior que podia acontecer era bebê-lo com os amigos”. Havia, na verdade, muito desejo de conhecer os cantos da região onde assentaram, as suas castas, e de fazer vinho a que pudessem chamar de seu.

“A ideia foi produzir vinhos de pouca intervenção e com uvas de agricultura biológica”, lembra. Fizeram, então, um acordo com um viticultor, visto não terem vinhas próprias. Orientando a viticultura e valorizando as uvas, querem contrariar os problemas económicos da região. “Havia o problema da adega, começamos com poucos recursos, no princípio era todo o material emprestado, a prensa era manual e muito pequena, mas o certo é que o vinho ficou bom”, recorda.

 

Hoje, produzem na adega do Paço do Conde de Calheiros (uma casa senhorial com alojamento, restaurante e vinhos próprios), visto que é Miguel que produz os vinhos da casa. Na adega, não entram leveduras selecionadas. “É enologia de pouca intervenção, retirar o menos possível e adicionar o menos possível”, diz. Os vinhos Saravá destacam-se pela acidez persistente e longa, que Miguel considera “muito sedutora”, e a textura, “a sensação que o vinho dá ao corpo”.

Este ano, apresentaram a segunda edição dos seus rótulos. Sendo a sub-região do Lima o berço da casta Loureiro, esta não podia faltar. Aqui, aparece na sua versão branco e, juntamente com a Trajadura (30 por cento) na versão curtimenta, sendo que neste último a maceração é de três meses.

Quanto ao tinto, explica Leli, é um Espadeiro, casta que normalmente serve para fazer rosés; “nós fomos mais insistentes e decidimos fazer um tinto. As uvas chegaram até nós através de um colega do Miguel que sabia da nossa maneira de pensar e nos queria arranjar uvas suas. Mas não queria que fizéssemos tinto com elas”. Então, Miguel disse que ia fazer rosé e fez um tinto.

Bom filho a casa torna

A dupla apresentou também dois novos rótulos: Saravá Saravô, um branco e um tinto em homenagem aos antepassados de Miguel, com uvas do Douro. “O branco vem de uma vinha com 85 anos plantada pelo meu avô, no Baixo Corgo”, conta o enólogo. O tinto é produzido também com uvas durienses de uma vinha do tio, já falecido. Todas as referências estão disponíveis para compra no bar Tão Longe Tão Perto e em breve outra produção da Galatic Wines, o tinto Banzé, também de uvas durienses, algumas de ramada, irá fazer parte das escolhas do vinho à torneira do bar.

No dia 15 de outubro, às 17 horas, o Tão Longe Tão Perto recebe a apresentação de outro projeto: os vinhos Tubarão, com a presença do produtor Ricardo Garrido. À prova estarão o Tubarão! Rosé Pet-Nat 2023, o Tubarão! 100% Loureiro 2023 e o Tubarão! Tinto de Ramadas 2023. A prova será gratuita, sendo que, após encerrar o momento de apresentação, haverá opção de venda dos vinhos a copo, no valor de 5 euros.

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