Restauro dos Painéis de São Vicente inspira nova cerveja da Dois Corvos

A cerveja Vicentes é uma edição limitada da Dois Corvos. (Fotografia: DR)
Vicentes, assim se chama a nova cerveja artesanal de edição limitada produzida pela lisboeta Dois Corvos. A receita é “a mais antiga do mundo” e o rótulo é uma reinterpretação livre dos Painéis de São Vicente (que destaca o santo padroeiro de Lisboa), enquanto a obra do Museu Nacional de Arte Antiga está em restauro.

Os Painéis de São Vicente, “obra de enorme importância simbólica na cultura portuguesa e singular ‘retrato coletivo’ na história da pintura europeia”, lê-se no site do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), estão a ser restaurados por uma equipa de dezenas de especialistas nacionais e internacionais, e só deverão ser devolvidos ao seu lugar de exposição em 2024. Enquanto isso, a Dois Corvos mantém-nos presentes em regime de “substituição temporária” numa edição limitada da nova cerveja Vicentes.

As seis pinturas atribuídas ao pintor régio de D. Afonso V, Nuno Gonçalves, e que apresentam um conjunto de 58 personagens em torno da dupla figuração de São Vicente, foram a fonte de inspiração para o criativo da Dois Corvos Rui Fazenda desenhar uma “reinterpretação” dos referidos painéis. O resultado foi a ilustração visível, agora, no rótulo das latas de cerveja Vicentes, uma edição limitada, em 44cl, que está à venda tanto na Tap Room da cervejeira, como no MNAA e online, a partir de seis euros.

(Fotografia: DR)

Segundo João Jesus, da comunicação da Dois Corvos, trata-se de uma barleywine (vinho de cevada), tida como “o estilo de cerveja mais antigo do mundo”, o qual terá tido origem no Reino Unido, durante o século XV. “Inclui-se dentro dos estilos clássicos da Grã Bretanha quando a cerveja ainda era produzida em barricas e tem um sabor que se assemelha ao das cervejas trapistas, de tradição belga”, acrescenta a mesma fonte. O teor alcoólico de 14% pede que seja partilhada.

No palato, a Vicentes revela notas de pão, mel, melaço, caramelo e toffee, sabores que “fazem sentido dada a aparência vínica e a textura” da cerveja. O processo de criação partiu de uma reflexão sobre o que unia a Dois Corvos, fundada em Lisboa há 10 anos, e o Museu Nacional de Arte Antiga. O nome remete para um dos símbolos do brasão municipal e para a lenda que conta que dois corvos pousaram na nau de D. Afonso Henriques quando este foi resgatar o corpo do santo a Sagres.

(Fotografia: DR)

Os Painéis de São Vicente são uma obra com mais de 500 anos, e encontram-se em processo de estudo, conservação e restauro no piso 3 do museu, numa zona devidamente vedada mas visível a quem a visita, permitindo o acompanhamento in loco dos trabalhos nas suas várias fases. O trabalho implica avaliar os danos que a peça sofreu ao longo dos séculos e o impacto dos sucessivos restauros de que foi alvo, antes de se avançar para outro tipo de operação com pincéis.



Ler mais







Send this to friend