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Quinta da Barca: uma quinta em Mesão Frio com um vinho de topo

Quinta da Barca, no Douro. (Fotografia de Artur Machado/GI)

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É na transição da região de vinhos do Douro e a dos Verdes que se encontra a Quinta da Barca. “Do outro lado de Mesão Frio é já Baião”, explica Justina Teixeira, proprietária da quinta. Pela especificidade do local, os vinhos que saem desta colina que acaba no rio têm, em relação a outras regiões do Douro, perfis “mais frescos, mais elegantes, uma acidez bem marcada nos tintos, que permite que envelheçam bem na garrafa”, considera esta bióloga molecular, que deixou o trabalho que tinha na área da saúde para se dedicar a este negócio de família.

“Esta é uma quinta que foi passando de geração em geração, como é normal no Douro”, conta. Em 1995, os seus pais, ali mesmo de Vila Marim, que tinham uma empresa de prestação de serviços agrícolas, compraram a quinta, uma das mais antigas da sub-região vinhateira do Baixo Corgo.

A origem do nome tem a ver com o facto de ali, no ponto do rio onde a quinta terminava (agora termina na estrada que entretanto foi construída), ser o local de passagem para o outro lado. “Quem tinha o barco pagava uma taxa ao dono da quinta para fazer a travessia”, conta.

A Quinta da Barca, em Vila Marim, no Douro Vinhateiro. (Fotografias de Artur Machado/GI)

A Busto é a marca com que comercializam os vinhos.

Foi em 2000 e 2001 que os pais de Justina replantaram as vinhas, pois não foi possível recuperar as que lá estavam. Ao nível de castas brancas, apostaram no viosinho, malvasia fina, arinto e um pouco de folgasão. Nas castas tintas, predominam as parcelas de touriga nacional e franca. “A nossa touriga nacional vem de um clone do Dão, não do Douro. Já aconteceu em provas cegas dizerem que é um vinho do Dão”, conta.

O primeiro rótulo que saiu para o mercado foi um blend tinto, em 2007. Em 2009 produziram o primeiro branco e em 2011 um rosé. É mesmo com a touriga nacional que veio do Dão que, juntamente a touriga franca e tinta roriz se prepara este rosé, que nos primeiros anos de vida não teve muito sucesso. “O nosso rosé teve sempre muita estrutura, é muito direcionado para a vertente gastronómica”, conta Justina. Mas houve sempre dificuldade em vender. “No início não vendemos nada, pensámos mesmo em descontinuar”, lembra. Mas em 2015 houve uma mudança no mercado e o público começou a ficar mais atento aos rosés.

As pipas onde estagiam os rosés da casa.

Na Quinta da Barca, a produção de vinhos já soma uma década e meia.

Além disso, a quinta começou a exportar para a Polónia, mas não muito, pois a produção era de apenas 2000 garrafas. “Em 2017 surgiu a ideia de pegarmos em parte desse rosé e fermentar e estagiar em barricas. Fizemos apenas uma barrica para experimentar e ficámos muito contentes com o resultado”, diz. Saiu, assim, o primeiro Reserva rosé da Quinta da Barca.

Em 2018 e 2019 voltaram a repetir a proeza. O próximo rosé reserva que sairá para o mercado, provavelmente ainda este ano, é o de 2021. E será já comercializado com o rótulo Quinta da Barca. “Até agora, a marca com que comercializamos os vinhos é a Busto, mas queríamos registar Quinta da Barca”, conta. Finalmente, conseguiram fazê-lo há dois anos. Agora, o Busto será para as entradas de gama e o outro rótulo para os topos de gama. E, finalmente, o rosé é reconhecido como um vinho de topo.

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.