Conquistou o prémio Melhor Bartender e Melhor Cocktail do Lisbon Bar Show, que já tinha vencido antes. Também já representou Portugal no mundial World Class. Como reage a estas distinções?
É sempre um orgulho ser distinguido, mas também me traz um sentido de responsabilidade acrescida. Até para ajudar a fazer evoluir a indústria, da mesma forma como esta me tem feito evoluir.
Qual foi a inspiração para este cocktail Elsa, recém-premiado?
Nasceu de um serão entre colegas e amigos e é um tributo à minha mulher, Elsa, que tem estado sempre a meu lado com o seu apoio incondicional. Leva rum branco, solução de ácido gálico com infusão de cascas de lima, xarope de flores e infusão de flores.
Depois de anos à frente do Gusto Bar, no Conrad Algarve, mudou-se para o Porto. Que potencial viu no The Royal Cocktail Club?
O Royal é um dos nossos melhores bares e com um grande potencial de reconhecimento internacional. Foi algo que me levou a mudar, mas também a ligação que criei com o dono, Miguel Camões, que fala a mesma língua que eu. Além disso, em Portugal, é mais difícil que o nosso trabalho seja visto dentro de um hotel.

O cocktail vencedor na mais recente edição do Lisbon Bar Show. (Fotos: DR)

O bartender soma duas décadas de carreira na mixologia.
Como é que têm atravessado este último ano?
Foi um ano extremamente difícil, tanto a nível profissional como em termos financeiros. Nós temos ganas de vingar, foi isso que nos manteve e nos tem feito ser resilientes. Estivemos quatro meses abertos num ano. Não é fácil. Mas há muita vontade de vencer, dos patrões à equipa, e isso tem sido um aspetos a salientar no meio disto tudo.
Em que pé está o mundo da mixologia nacional, em relação ao que se faz lá fora?
Portugal evoluíu bastante nos últimos sete, oito anos. A mobilidade entre os grandes centros da mixologia internacional ajudou-nos a aprender bastante, além de toda a informação disponível na Internet, que tem catalizado essa evolução. Nos últimos tempos tempos, algumas escolas privadas têm criado módulos para formar profissionais ao nível das grandes mecas da coquetelaria. Já algumas escolas públicas hoteleiras têm módulos desatualizados e escritos há 30, 40 anos.

O The Royal Cocktail Club, no Porto.
Quando é que surgiu esta paixão pela mixologia?
Os meus pais tiveram um bar quando era miúdo, em Albufeira, e foi aí que o bichinho nasceu. A paixão pelo bartending, além dos cocktails, da pesquisa e da parte teória, que gosto bastante, surgiu da vontade de interagir com o público. De tornar momentos em memórias. O meu sonho de criança de ser astronauta, que nunca consegui realizar, também foi um catalizador. Através da minha criatividade, acabo por conseguir tocar nas estrelas. [risos]
Que três qualidades deve ter um bom bartender?
Humildade é a principal. Depois, profissionalismo e compromisso.
