Frescura e irreverência nas novas cervejas de verão

A cerveja Luzia in the Sky é o resultado de uma parceria entre as cervejeiras Musa e Luzia. (Fotografia: Diana Mendes)
Cervejas com leveduras selvagens, IPAs, sours, saisons, stouts... Os estilos são muitos para agradar a vários gostos. A cerveja artesanal portuguesa desconfinou e já novidades para refrescar este verão. Muitas delas, fruto de colaborações entre cervejeiras, que vão enriquecendo o panorama das artesanais. Para beber em casa ou nos vários bares de cerveja que começaram a reabrir.

DOIS CORVOS
Duas cervejas fermentadas com leveduras selvagens (wild beers), estagiadas em barricas de carvalho são as mais recentes novidades da Dois Corvos, de Marvila, Lisboa. Em breve, a marca vai lançar mais uma cerveja com estágio em barrica, desta feita de bourbon, e duas India Pale Ale (IPA).

Polite Society (Brett Saison – 7,3%)

Esta cerveja foi fermentada com a levedura Brettanomyces. Em alguns estilos, esta é considerada um contaminante indesejado. Mas aqui, é mesmo as suas caraterísticas que tornam a cerveja distinta, além do estágio durante vários meses em barricas de moscatel. Pela sua acidez e frescura, faz boa harmonização com ostras.

Black Candy (Blackcurrant Sour Ale – 4.2%)

Mais uma wild beer da marca lisboeta. Tem uma tonalidade púrpura e um intenso sabor frutado. Fermentou com levedura selvagem e estagiou por dois anos em barricas de carvalho. Harmoniza, por exemplo, com tarte de frutos vermelhos.

Born Rich (Ale aged in Bourbon barrels – 11.5%)
Cerveja bastante alcoólica e de sabor forte, esta ale foi envelhecida em barricas de bourbon. Acompanha bem carnes ricas grelhadas.

This Clouded Heart (Hazy IPA – 6.7%)
Cervejas sumarentas, por isso também conhecida como juicy, as hazy IPA têm um corpo denso, turvo e cremoso, além de algum amargor e aromas frutados provenientes dos lúpulos. Harmoniza com ceviche.

Fuzeta (Double IPA – 8.5%)
Se uma IPA é amarga, uma double IPA, ainda mais. Esta Fuzeta, amarga e alcoólica, bebe-se bem sozinha, ao sol, numa esplanada.

LETRA
A cervejeira minhota, de Vila Verde, vai lançar uma linha de cervejas exclusivas em lata, com rótulos que remetem para pormenores da região e nomes alusivos aos locais. Querem assim, explica Filipe Macieira, “convidar o consumidor a descobrir o património minhoto”.
Estas latas de cerveja serão produzidas em quantidades muito limitadas e estarão disponíveis nos espaços Letraria (Vila Verde, Braga e Porto) e outros dedicados às artesanais. Além desta, há mais novidades, entre elas a Letra G, a Imperial Stout que faltava ao abecedário da marca.

Relief (Double IPA – 8%)

Amarga e alcoólica, esta double IPA usa como lúpulos o mosaic, citra e sabro. O desenho da lata remete para o Santuário da Nossa Senhora do Alívio, em Soutelo (Vila Verde), fundado no final do século XVIII.

Letra G (Imperial Stout – 10,5%)

A marca vai aumentando o seu catálogo de estilos. Esta é uma Imperial Stout intensa, com espuma cremosa e aromas de maltes torrados com notas de chocolate preto e café. Boa para acompanhar queijo de cabra e carnes maturadas.

MADAM LINDINHA LUCAS
O projeto Lindinha Lucas começou há cinco anos com a ideia de criar cervejas à volta de uma personagem e da sua história, neste caso, a Lindinha Lucas, artista de variedades. Agora, a Lindinha está mais amadurecida e já é Madam. Com uma nova imagem, surgem também novas cervejas. Sofia Oliveira explica que “este é um ano de reinvenção, novas cervejas, de rebranding. E o confinamento foi “aproveitado para trabalhar em força”. Estas são as primeiras referências lançadas nesta nova fase, já na próxima semana. Até ao final do ano, vai haver mais surpresas.

The Marguerita Gose Solo (Gose – 5,1 %)
É o“novíssimo espetáculo da Madam Lindinha”. Uma gose cítrica e salgada, como as goses devem ser, e muito refrescante.

The Exquisite Session IPA (Session IPA – 5,3%)
A session IPA da Lindinha Lucas foi agora aprimorada. Alterou-se um pouco a receita e a cerveja está agora mais frutada e lupulada.

NORTADA
No próximo dia 17, a Nortada, da Fábrica de Cervejas Portuense, vai lançar mais uma referência da sua campanha “12 meses, 12 cervejas”.

Hop Lager (4,7%)
Cerveja fresca e leve, este estilo de lager tem um pouco mais de amargor do que, por exemplo, uma lager pilsen, devido à dose extra de lúpulo, mas menos do que uma IPA. Pouco alcoólica, foi pensada para refrescar.

CERVEJAS COLABORATIVAS
Memórias, sabores e música

TRINDADE + TREVO

Albert (Liège Spelt Ale 4,4%)
Esta primeira cerveja colaborativa da Trindade com a Trevo é uma homenagem a Albert Lourtie (1893-1952), mestre cervejeiro de Liège, Bélgica, que foi prisioneiro dos alemães durante a I Guerra Mundial e acabou por vir para Portugal, onde trabalhou como cervejeiro na Portugália e ajudou a criar a Sagres. É uma cerveja de espelta, um estilo antigo que era produzido em Liège. A espelta “ é uma variedade do trigo, normalmente conhecido como trigo vermelho”, explica Diogo Vinagre, da Trindade. “As cervejas de trigo têm, normalmente, aromas de banana e cravinho. Nesta receita específica, há aromas mais doces, como caramelo, côdea de pão, mel”. Foi lançada em lata e pode ser harmonizada carnes vermelhas, algumas comidas condimentadas e alguns queijos, como o cheddar.

8ª COLINA + MUSA

Eu vou à Grisette (Grisette – 4,6%)

A Musa é conhecida por se inspirar na música para criar cervejas. Esta colaboração com a 8ª Colina não é excepção. A cervejeira de Marvila e a da Graça lançam Eu Vou à Grizete, uma brincadeira com o refrão “Eu vou à Rosete”, da canção dos Táxi “A Queda dos Anjos”. É “uma saison refrescante, uma receita belga de verão. Tem uma ligeira acidez que abre o palato, e não tem muito amargor”,explica Pedro Romão, da 8ª Colina. Sushi e saladas harmonizam bem.

MUSA + LUZIA

Luzia in the Sky (Berliner Weiss – 4,3%)

(Fotografia: Diana Mendes)

A cervejeira de Marvila e a Luzia, da Mealhada, juntaram-se para elaborar esta weiss com aromas de tangerina e um toque subtil de alecrim. É fresca e cítrica, de corpo leve, com baixo amargor e boa acidez.

MUSA + POST SCRIPTUM

Reyninho (sour rye ale – 7,9%)

(Fotografia: Diana Mendes)

A Post Scriptum, de Pedro Sousa, um dos mais experientes cervejeiros nacionais, juntou-se à Musa para elaborar esta ale de centeio com acidez acentuada.

BARONA + LETRA

Vanilla Sky (sour ale – 5,5%)

Alentejo e Minho uniram-se para criar esta sour – um estilo de cervejas mais ácidas. Aqui, a acidez é equilibrada com o aroma da baunilha. Tem um aroma fresco e apimentado.

DOIS CORVOS + NEIGHBOURHOOD COFFEE

Misfits (Imperial Stout c/ café – 11%)

A parceria entre a cervejeira e a cafetaria de café de especialidade de Lisboa deu origem a esta poderosa Imperial Stout infusionada com café Yirgacheffe da Etiópia. Harmoniza com gelado de iogurte.

SOVINA + MØM BREWERS + MEAN SARDINE

All Together (West Coast IPA – 6,5%)

A Sovina juntou-se à Mean Sardine, da Ericeira, e à global MØM Brewers para participar no projeto solidário All Together, lançado pela norte-americana Other Half Brewing Co. Este, consiste na produção de uma cerveja em colaboração global. Todo o lucro é para apoiar o sector da restauração, nestes tempos difíceis de pandemia. O mestre cervejeiro da Sovina, Fábio Torre, explica que o resultado “é uma West Coast IPA, com intensas notas cítricas de toranja, laranja e limão, sobre uma base ligeira de notas resinosas”.

LETRA + Ljubomir Stanisic

Bicho do Mato (Rye Imperial IPA – 8,3%)

(Fotografia: DR)

Esta cerveja não é propriamente uma novidade. Já foi até premiada no Concours International de Lyon, onde obteve uma medalha de prata na categoria de Imperial IPA. Foi desenvolvida pelo chef do 100 Maneiras Ljubomir Stanisic, em parceria com a Letra. É uma cerveja de centeio bem lupulada e terá agora uma segunda edição.



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