Estamos no limiar formal e administrativo da região demarcada do Douro, em pleno concelho de Mesão Frio, onde nos idos anos 50 António Ribeiro e Maria do Céu assentam sem intenção fundadora a primeira pedra de um legado que os irá acompanhar para sempre.
As quintas de S. Tiago, em Vila Marim, e Portela, em Barqueiros, acabam por ser início de uma epopeia imparável de genuína ligação à terra e ao vinho, com a dedicação de todo o resto da vida do casal Maria do Céu e António Ribeiro para fazer medrar os seus vinhedos na que é a porta de entrada do grande vale vinhateiro do Douro.
Na altura, estava já bem confirmada a validade da replantação em cavalo americano das vinhas que haviam morrido pelos muitos mortórios fora. Distinguiu-se quem começou mais cedo a acreditar no quimérico novo Douro, mesmo perante o desarme de irmãos e parentes próximos; na primeira metade do séc. XX, o cenário continuava a ser desolador. Teresinha Ribeiro, filha do António de quem falamos, casada com Eduardo Miranda, compra e agrupa quase por intuição um novo património, que cedo se revelaria cheio de sucesso e futuro.
Tiveram quatro filhos homens, todos de nome começado por R: Roberto, Ricardo, Rafael e Rudolfo e todos cresceram no Douro, diariamente foram dando forma ao sonho da mãe. Já com os “quatro magníficos” enfileirados e assumptos no projeto, nasceu a ventura “Mãos e Irmãos”, que em torno da sua mãe tem vindo a cumprir o sonho. Entre a Quinta de Sequeirós, no Cima Corgo – onde labora a adega; a Quinta d’Além Tanha, vinhedos de mais de quarenta anos; e a Quinta do Farfão, no Douro Superior, a grande aposta está ganha e chama-se futuro.
Roberto tem hoje 41 anos, e é formado em gestão; Ricardo, com 37, trata do backoffice; Rafael, 34, é engenheiro agrónomo e é o timoneiro do grupo; e Rudolfo, 31 anos, é engenheiro agrónomo com pós-graduação em enologia. A sensatez de cada um dos irmãos e a maturidade do coletivo conduziu à decisão feliz da arregimentação da enóloga Joana Maçanita como responsável técnica pelos vinhos. Experiente e conhecedora dos terroirs do grande vale vinhateiro do Douro, Joana tem uma invulgar capacidade de dar ouvidos a todos os irmãos e depois fazer a síntese dos objetivos principais.
O projeto R4 tem hoje, graças a si, personalidade própria e continua a dar eco da individualidade de cada irmão e das diferentes personalidades, graças à inteligência e proximidade de Joana Maçanita. Pode dizer-se mesmo que atingiu o pico da maturidade ao apresentar quatro vinhos “signature”, cada um com o nome de um dos irmãos Miranda, cada um também com a casta da sua eleição.
São assim quatro vinhos idealizados por quatro irmãos, uvas selecionadas dos três terroirs durienses controlados pelo grupo R4 e ainda dois outros que nos parecem de singularizar pelo esforço de inovação que em conjunto os irmãos materializaram. Há mais títulos, mas o nosso alinhamento serve como ponto de partida para entender a motivação dos irmãos, que todos os quatro dedicam à mãe.
Mãos Signature Rudolfo Miranda Douro branco 2016 (13%)
100% Cerceal. Notas aromáticas de folha de chá e casca de melão, formando um bouquet atraente. Boca macia e muito equilibrada, corpo apreciável, alperce e melaço. Vai pegar bem em pratos de tacho de leguminosas, seja uma feijoada ou mesmo tripas à moda do Porto.
Preço: 18,90 euros
Classificação: 18
Mãos Ricardo Miranda Douro tinto 2016 (13%)
100% Touriga-franca. Notas aromáticas dominantes a um tempo florais e balsâmicas, património direto e dileto da casta touriga-franca. A boca é vigorosa na entrada, evoluindo depois para um ambiente fresco, com notas de esteva fresca e tomate de rama. Prato: empada de caça.
Preço: 25,5 euros
Classificação: 18
Mãos Rafael Miranda Douro tinto (14,5%)
100% Tinta-barroca. Notas terrosas fortes, conjugadas com fruta escura de caroço confitada, criando um ambiente que convida a entrar mais no vinho. Taninos muito finos, notas minerais de ponta de lápis e um final muito elegante, típico dos grandes vinhos.
Preço: 25,5 euros
Classificação: 17,5
Mãos Signature Roberto Miranda Encruzado Douro branco 2018 (14%)
100% Encruzado. A casta mostra bom desempenho mesmo estando fora dos seus terrenos habituais, que são na região do Dão. Aromas finos de laranja amarga e flores silvestres. Na boca mostra-se complexo e vibrante e oferece-se a pratos de arroz de inspiração marítima.
Preço: 18,90 euros
Classificação: 17,5
Mãos Douro tinto 2017 (14,5%)
Touriga-nacional (40%), Tinta-roriz (30%) e vinhas-velhas (30%). Aromas de ameixa-preta e violetas. Boca muito equilibrada, a revelar notas cítricas maduras, cacau, fruta e ameixa confitada. Termina a sugerir alcaçuz, sem perder a elegância. Prato: pato assado com laranja.
Preço: 10,50 euros
Classificação: 17,5
Mãos Reserva Douro branco 2016 (13%)
Rabigato (40%), viosinho (30%), gouveio (20%) e códega-do-larinho (10%). Fermentação e estágio de 10 meses em barricas novas de carvalho-francês.
Preço: 16 euros
Classificação: 17