Nada no vinho é imediato, nada no vinho admite pressas. Excetuando a inevitabilidade da pressão no período de vindima e as adversidades impostas pela natureza em cada vindima, tudo é intencional, tem mão humana e exige tempo. Quando em 1999 nasceu a Prats & Symington nascia ao mesmo tempo a estreia de Bruno Prats como produtor em Portugal. Autor dos vinhos do Château Cos d’Estournel, em St-Estèphe, Bordéus, decidiu vender a sua parte do negócio e associar-se à família Symington para fazer nascer o projecto Chryseia.
Trocou, por assim dizer, as castas-base Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon pelo dueto Touriga Nacional e Touriga Franca, adaptando-se à copiosidade que marca o terroir duriense, face às maturações fenólicas e equilíbrio com que na sua carreira sempre se bateu. Pareceu-lhe que havia condições para manter a lógica bordalesa de um primeiro vinho de guarda e um segundo orientado para o consumo mais cedo que o primeiro.
Nasciam as marcas Chryseia e Post-Scriptum para as respetivas posições e o projecto atinge com a colheita de 2016 agora disponibilizada a décima oitava edição. As provas verticais – vários anos da mesma marca – feitas até hoje atestam a personalidade dos vinhos, em todos se reconhecendo capacidade de envelhecimento, assunto importante que não se compadece com as necessidades imediatas sentidas no mercado.
A compra da Quinta de Roriz, onde já se fazia o Chryseia, alargou naturalmente o portfólio, passando a integrar a marca Prazo de Roriz na sua oferta. Enologia assegurada por Bruno Prats e Charles Symington, qualidade rigorosamente vigiada por Pedro Correia e Luís Coelho, o projeto representa uma forma diferente de fazer vinho duriense, com os olhos postos no futuro. Tudo toma tempo e o tempo traz consigo a recompensa.
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