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Caves Murganheira: Visitar as guardiãs do tempo, em Tarouca

Caves Murganheira - enóloga Marta Lourenço (Fotografia de Leonel de Castro/GI)

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Num edifício moderno debruçado sobre o vale em Ucanha, Tarouca, encontra-se a Murganheira, no coração da região vitivinícola de Távora-Varosa. A empresa foi fundada em 1946, por Acácio Laranjo, um industrial têxtil com amor pela terra de origem e o desejo de ali produzir vinho.

Um dia, numa viagem de negócios a França, levou algumas garrafas para dar a provar as seus clientes, e aí conheceu um enólogo da Moët & Chandon que o incentivou a produzir espumante. Assim se deram os primeiros passos de um caminho desde sempre pautado por altos padrões de qualidade, e seguindo os ensinamentos da região mãe dos vinhos espumantes, Champagne.

“Aprendemos com eles. E todos os anos vou lá”, diz Marta Lourenço, enóloga responsável pela produção da Murganheira desde 2008. O prestígio da empresa consolidou-se ainda mais a partir de 1986, ano em que passou para as mãos de Orlando Gonçalves, já ligado às caves há alguns anos. Das 40 mil garrafas que a Murganheira vendia anualmente até então, a produção foi crescendo, até atingir um milhão de garrafas todos os anos.

 

A história da empresa que é hoje uma referência dos vinhos espumantes portugueses, é contada ao longo das visitas guiadas que ali se fazem diariamente, e que levam os visitantes a conhecer todo o processo de produção, passando pela adega, a zona de engarrafamento, as caves de estágio e até à linha de embalamento. No final, há direito a um flute de espumante, na grande sala de provas com janelas abertas para a paisagem bucólica do vale do rio Varosa.

 

O terroir
Entre o Douro e a Beira, conhecida pelos seus vinhos brancos, “Távora-Varosa é a região vitivinícola mais pequenina a nível nacional mas é uma região com propriedades excepcionais. Eu costumo dizer que o nosso pó mágico é aquilo que este terroir nos dá, uvas com condições únicas”, diz Marta Lourenço.

 

Cave velha
Um dos maiores tesouros da Murganheira, a par da matéria-prima, está escondido debaixo da terra. Os corredores da cave velha começaram a ser abertos em 1940. Hoje, as paredes de granito azul, escavadas na rocha com recurso a dinamite, estendem-se por um quilómetro e guardam cerca de um milhão de garrafas, mantendo uma temperatura constante de 12,7 graus, o ano inteiro.

 

Tempo de estágio
Ainda que as uvas sejam a principais responsáveis pela qualidade dos espumantes Murganheira, há ainda outros fatores que os colocam num segmento de topo, entre eles o tempo de estágio. Na segunda fermentação são usadas exclusivamente leveduras livres, o que faz com que seja necessário que o vinho fique a estagiar mais tempo. Se em geral o período mínimo é de nove meses, na Murganheira não há garrafa que fique menos de dois anos no silêncio e escuridão das caves.

Algo está a fazer com que o sistema não consiga mostrar a ficha ténica desejada. Pedimos desculpa pelo incómodo.