Bernardo Rodrigues, do restaurante Pedro Lemos, eleito melhor bartender do ano

Bernardo Rodrigues. (Fotografia: Tiago Maya)
É natural de Paredes, vive em Gaia e trabalha no Porto, no restaurante estrelado Pedro Lemos. Aos 27 anos, Bernardo Rodrigues venceu a 8.ª edição do World Class Portugal, que dá palco às novas promessas da mixologia nacional, ao eleger o melhor bartender do ano, sob olhar atento de um leque de especialistas. Em setembro, representa Portugal na final global, que decorre em São Paulo.

Ao que sabe a vitória num concurso conceituado como o World Class Portugal?

Ainda não caí em mim, ainda estou em êxtase. Era um sonho poder representar Portugal e fazer aquilo que eu gosto, neste caso na maior competição de bartenders do mundo. É um concurso que abre muitas portas e nos dá muita visibilidade. Há três anos que venho à final. No ano passado, fiquei em quarto lugar. Este ano, correu bem. À terceira, foi de vez [risos].

Trabalha no restaurante Pedro Lemos, no Porto [detentor de uma estrela Michelin há nove anos, na altura o primeiro da Invicta a conseguir tal feito]. Que tipo de cocktails se provam aqui?

Na mixologia, fazemos pairing com dois cocktails nossos, mas trabalhamos mais com os clássicos. Os negroni, os old fashioned, etc, muito na base dos aperitivos.

Que cocktail aconselha a provar no Pedro Lemos?

O nosso gimlet, feito com gin Tanqueray NºTen, agave e sumo de lima. É bom a qualquer altura.

O bartender natural de Paredes venceu a oitava edição do World Class Portugal. (Fotografias: Tiago Maya)

O que mais o fascina na coquetelaria?

Adoro conversar com as pessoas e também gosto muito da parte criativa. No Pedro Lemos, trabalho de perto com a cozinha, e esse lado criativo é fundamental. Todos os dias, alimenta-me a mim e às minhas ambições. Não se podem cometer erros. A bebida que vai para a mesa não pode ser apenas boa, tem de ser muito boa, excelente. Comida e bebida têm que estar ao mesmo nível.

O interesse pelos cocktails despoletou quando?

Quando sai da escola e não fui para a faculdade, sabia que tinha de começar a trabalhar. Fui para um bar e a paixão ganhou-se a partir daí. Depois formei-me e vim trabalhar para o Porto, onde conheci a minha mulher.

Como tem evoluído a mixologia em Portugal?

Neste momento, estamos muito avançados na qualidade de cocktails, principalmente nos grandes centros, como Porto e Lisboa. Por exemplo, comparando com os nossos vizinhos, em Espanha, somos em grande parte dos casos melhores, não ao nível de volume mas da qualidade. Não tenho dúvidas disso.

Bernardo Rodrigues trabalha no restaurante estrelado Pedro Lemos, no Porto.

Mas ainda há caminho a trilhar.

Há. Não é só os bartenders fazerem mais e melhor. Os portugueses têm de mudar a cultura de sair, consumir e ter experiências novas no mundo da coquetelaria. Porque isso existe lá fora e cá não. É preciso mudar o chip a muitas pessoas, para que nós também possamos progredir.

Do que vai observando no seu dia-a-dia, e de forma geral, que tipo de cocktails costumam preferir os portugueses?

No geral, a moda dos spritz é uma coisa muito consensual em Portugal. Algo leve, fresco e ligeiramente amargo, para o momento do aperitivo.

Quais são as três qualidades essenciais num bom bartender?

Hospitalidade, hospitalidade e hospitalidade. Juro [risos]. Muitas vezes, temos aquele bar a que adoramos ir porque somos bem recebidos e tratados. Podemos ir a um restaurante três estrelas Michelin e beber um cocktail brutal, mas se não nos sentimos em casa, isso não conta nada.

O vencedor vai representar Portugal na final mundial da World Class, em setembro.


Os cocktails de Bernardo na final

A final nacional do concurso contou com três provas distintas. Na primeira, que consistia em dar um twist a quatro cocktails clássicos, usando um ingrediente-base, Bernardo Rodrigues usou a batata-doce. “Fiz um dry martini de batata-doce com picle de batata e eucalipto, um highball com iogurte, batata-doce e água de coco, uma paloma com maracujá, tomilho e batata-doce, e um whisky sour com batata-doce, leite de cabra e limão.

A segunda prova foi uma speed round, onde se criaram seis cocktails em seis minutos. O vencedor fez um dry martini, um rob roy, uma paloma, uma margarita, um whisky sour e um gin fizz. Na terceira e última prova, que era uma caixa-mistério com ingredientes, Bernardo apresentou um cocktail com whisky, maçã, aipo e coentros.


Os finalistas de 2023

Na edição deste ano, o World Class Portugal contou com seis finalistas. Além de Bernardo Rodrigues, o vencedor, competiram César Bolas (do restaurante Casa da Gadanha, em Estremoz), Diogo Lopes (do Nexo ½ Bar, em Lisboa), Fernando Sousa (do bar The Royal Cocktail Club, no Porto), Lucas Laranjo (do bar Monkey Mash, em Lisboa) e Rui Pereira (do restaurante Origens, em Ponte de Lima).



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