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As novas categorias de Vinho do Porto que atravessam gerações

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Entre casas históricas de vinho do Porto e outras mais recentes, foram nove as marcas presentes no Salão Nobre do Instituto dos vinhos do Douro e do Porto, no passado dia 22.

Paulo Russell-Pinto, comunicador na área dos vinhos e membro da câmara de provadores do instituto, guiou a sessão – uma masterclass de provas de “novos Portos velhos” -, começando por abordar o aparecimento e a necessidade de categorização dos vinhos. “No século XVIII, a palavra Vintage aparece pela primeira vez; nessa altura já se começam a catalogar os grandes vinhos do Porto”. Em 1933, o Instituto do Vinho do Porto cria legislação de regulamentação com as palavras mais usadas na altura, como Vintage ou Ruby, e “só em 1973 surge o primeiro regulamento das categorias especiais”. Antes das mudanças mais recentes, em 2005 instituiu-se o Branco com indicação de idade – 10, 20, 30 ou 40 anos.

Agora foram introduzidas duas categorias e uma alteração à categoria de Garrafeira. Tantos os Tawnies como os Brancos podem ser designados por 50 Anos e Very Very Old (em abreviaturas, VVO ou W). “O Garrafeira, que antes estava enquadrado num Colheita com sete anos, que depois ficava algum tempo em garrafa, tem de ter agora entre quatro a oito anos em madeira e mínimo de 15 em vidro”, afirma Russell-Pinto. São alterações feitas “pela necessidade de situar vinhos que estavam a ser colocados no mercado e que não tinham um enquadramento justo”.

Carlos Alves, da Kopke, apresentou o seu Branco 50 Anos. “Somos uma das casas mais antigas e temos grandes stocks”, diz. Por isso, lançaram logo dois 50 Anos, um Tawny e um Branco. Provou-se o Branco, “de tonalidade dourada, notas de especiarias, cravinho, mel, e notas mais cítricas e de fruta madura de caroço amarelo”. Na boca, este lote composto por vinhos entre os 47 e os 58 anos “é elegante, suave e delicado”.

Em representação de uma das casas mais jovens estava Luísa Borges, da Vieira de Sousa. “Somos recentes no negócio do vinho do Porto engarrafado, mas eu já sou a quinta geração de produtores na família, que vendia a granel”, conta. “Tivemos a sorte de ter muito stock, devido ao esforço do meu pai.” Mostrou um Tawny 50 Anos, que atravessou gerações da família, como todos os vinhos apresentados pelas outras companhias presentes: Vallegre, Rozès, Taylor’s, Vasques de Carvalho, Quinta do Estanho, Quinta do Vallado e Niepoort.