Nas prateleiras, as garrafas estão dispostas de forma serpentina, permitindo fazer uma viagem geográfica por todas as regiões vínicas nacionais, começando a norte, seguindo rumo a sul e terminando nas ilhas. Ao todo, o Arinto Portuguese Terroir, o novo inquilino de Alcântara que tem dupla face – serve como bar de vinhos e garrafeira – soma quase 400 referências e foca-se em “vinhos identitários, representativos do seu terroir ou das suas castas”, explica Pedro Monteiro, proprietário.
O lisboeta de 45 anos estudou Engenharia e começou a apaixonar-se pelos vinhos durante os 12 anos em que viveu em Buenos Aires. Tudo começou num dia em que visitou um bar de vinhos com amigos e provou um Lamadrid Cabernet Franc Reserva 2013. “Descobri a recompensa sensorial de pagar um pouco mais por um vinho melhor, mais exclusivo”, recorda. Começou a aprofundar conhecimentos sobre a área, a estender a sua própria coleção e a organizar provas com vinhos portugueses de topo na Argentina, com a presença de enólogos como António Maçanita ou Anselmo Mendes.
O Arinto Portuguese Terroir abriu recentemente em Alcântara. (Fotografias de Paulo Alexandrino)
Além de vinhos, há alguns petiscos para acompanhar.
“Cansado da vida de escritório” na capital argentina, regressou à sua cidade já com a abertura do Arinto na cabeça, onde junta o gosto pelos vinhos e pela hospitalidade, apoiado no local pela sommelier Lorena Lozano. Até porque “o vinho também é partilhar, é falar, é disfrutar com companhia”, diz o dono do bar e garrafeira, que ocupa o piso térreo de um edifício centenário que ainda mantém a sua arcada original.
Na curadoria cuidada do que aqui se bebe – não se vende um vinho que Pedro não tenha provado -, destaque para a secção de vinhos produzidos em ilhas vulcânicas, um interesse natural a reboque dos oito anos em que Pedro viveu nos Açores. “É um estilo de vinhos que me emociona”, confessa o proprietário. Neste campo, além de rótulos açorianos e madeirenses, faz-se uma exceção e viaja-se além-fronteiras com referências do Etna, na Sicília, e das Ilhas Canárias.
Pedro Monteiro, proprietário do espaço.
O Arinto funciona como bar vínico e garrafeira.
Para participar em encontros com produtores e enólogos, ou fazer parte de provas temáticas, basta ir espreitando datas nas redes sociais do Arinto, que também tem um canto dedicado aos vinhos naturais e de baixa intervenção. De resto, todas as semanas chegam novidades para provar ao copo ou à garrafa, que podem ser acompanhadas pelos petiscos da casa, como tábuas de queijo e enchidos, pão e azeitonas ou frutas desidratadas.
O Arinto soma quase 400 referências vínicas.