Tapada das Necessidades: o sossego e a história da última obra de D. João V

A Tapada das Nacessidades tem diversos pontos de interesse histórico. (Fotografia de Jorge Amaral)
Vegetação exótica, fontes, lagos, estatuária e um jardim de cactos oferecem sombra e recato a quem procura a Tapada das Necessidades, em Lisboa. para uma pausa na rotina. O espaço, tido como o primeiro jardim paisagista português, nasceu como a última grande obra do rei D. João V.

À sombra das árvores que cobrem a orla do meio hectare de relvado há quem jogue cartas e faça um piquenique bem regado entre amigos; enquanto outros absorvem vitamina D, deitados na relva, absortos; e e entreguem à leitura ou à afinação de uma guitarra. Aberta a todos os modos de estar, desde que respeitadores da civilidade, a Tapada das Necessidades, encaixada entre o Vale de Alcântara e a Lapa, supre-as quando o que importa é encontrar um local sossegado para abrandar as batidas do pensamento e do coração, que a cidade agudiza.

Dos dez hectares da tapada, é o relvado com declive gentil que parece agregar o maior número de pessoas, dando-lhes como cenário um dos pilares da Ponte 25 de Abril e uma estufa circular com estrutura de ferro (edificada já no reinado de D. Pedro V). Mas, tal como outras que parecem escondidas entre as árvores, a maioria das estruturas remonta ao reinado de D. João V e testemunha a sua grande última obra em vida: a igreja, palácio, cerca, convento e jardins construídos a partir de 1742 na encosta do vale de Alcântara, de onde se via o rio Tejo.

Segundo a página online da AJH – Associação Portuguesa dos Jardins Históricos, o anseio era criar um espaço de qualidade, cuja topografia, no cimo da encosta, ajudaria na vertente cénica, e de onde se atingiria um domínio visual desde a enseada de Alcântara à entrada na barra do Tejo – locais que, ao longo dos séculos, tinham sido escolhidos para defesa, culto e orações. Mas o projeto ficou aquém, esgotados muitos dos recursos financeiros do país no Convento de Mafra, e o conjunto aproximou-se mais de uma villa da Toscânia do que de um palácio barroco.

Das várias épocas e inquilinos que o palácio conheceu observam-se, ainda hoje, o moinho de vento cuja construção é anterior ao do muro da tapada, em 1742; o túnel da mãe-d’água que permitiu a chegada deste recurso à quinta através de um ramal do Aqueduto das Águas Livres; e todos os caminhos e zonas florestadas deixadas ao natural. Por todo o recinto circulam livremente os patos e gansos dos lagos ornamentais, galos, galinhas e pavões, para gáudio das crianças. Os gatos, esses, encontram comida e abrigo num refúgio próprio. Fauna e flora convivem em paz.

(Fotografia de Jorge Amaral)

Tapada das Necessidades
Calçada das Necessidades, Estrela
Horário de inverno: das 08h às 17h45
Acesso livre.



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